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Kickboxing português entra nos Mundiais da WAKO em Abu Dhabi em clima de incerteza

FNKDA

FNKDA ruma aos Mundiais enquanto impasse do kickboxing continua

Com tudo preparado nos Emirados Árabes Unidos para o arranque de mais uma representação portuguesa numa competição internacional da WAKO — desta vez o Campeonato do Mundo —, o kickboxing nacional continua mergulhado num cenário de incerteza institucional.

Apesar da decisão governamental de retirar o estatuto de Utilidade Pública Desportiva à Federação Portuguesa de Kickboxing e Muaythai (FPKMT), o processo continua a arrastar-se nos bastidores. Como resultado, a equipa que representa Portugal através da FNKDA — a única federação portuguesa reconhecida pela WAKO, organismo oficial que tutela o kickboxing a nível mundial — irá competir em Abu Dhabi sem estar ainda oficialmente reconhecida pelo Estado.

“Aqui lutamos todos por uma bandeira e por um país”

Raúl Lemos, selecionador nacional, sublinha a contradição entre o reconhecimento internacional da FNKDA e a lentidão do processo em Portugal:

“Tenho muita fé e crença na verdade. Percebi que o governo deixou, e bem, de reconhecer uma federação nacional que a Federação Internacional (WAKO) não reconhece. Isto faz sentido, até porque estamos a falar de contratos-programa e dinheiros públicos aplicados numa federação que internacionalmente não é reconhecida — tem apenas um contrato assinado com uma empresa de eventos chamada ISKA.”

O selecionador destaca ainda a incerteza gerada por recursos e contestações, que voltam a colocar o kickboxing português “em xeque” às vésperas de uma das competições mais importantes do calendário.

“Temos algumas hipóteses de medalhas nesta prova, uma prova oficial de federações reconhecidas pelo Comité Olímpico, e não sabemos como vai ser. Aqui lutamos todos por uma bandeira e por um país, aconteça o que acontecer. Estão aqui 21 bravos atletas prontos para tudo.”

“Se isto fosse futebol, a decisão seria a mesma?”

Perante o impasse institucional, Raúl Lemos deixa uma questão direta à Ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes:

“A minha pergunta é só uma: se isto fosse futebol, deixaria que a Seleção Nacional não estivesse inscrita na FIFA? Apoiaria uma seleção que diz estar federada numa empresa comercial, com um contrato comercial? Eu acho que não.”

Enquanto o processo segue em análise, os atletas portugueses entram em competição representando Portugal sob a estrutura oficialmente reconhecida pela WAKO, determinados a conquistar resultados e a honrar o país num dos palcos mais importantes do kickboxing mundial.